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Uma profissão em extinção

Adelar Martins do Amaral trabalha na produção e restauro de artigos em couro desde adolescente

01/09/2017 Artistas Carolina Padilha Alves Bruna Bueno

Conhecido como Daio pelos amigos e clientes, Adelar, com mais de cinquenta anos de profissão, produz a encilha completa para os amantes da cultura gaúcha, como o arreio, a chibata, cinturão e bainha para faca. No início da carreira, o seleiro chegou a fazer mochilas, malas, bolsas e cintos, mas depois resolveu se dedicar apenas ao tradicionalismo, sua verdadeira paixão.

Com muita habilidade e criatividade para dar forma às peças, Daio se destaca como um verdadeiro artista, compondo peças exclusivas de couro de excelente qualidade e durabilidade. Além disso, cada artefato apresenta uma beleza indiscutível, algo possível se cada item for feito com precisão e detalhes. “As máquinas que possuo são todas de pedal, nenhuma é motorizada, classificando o meu trabalho como 100% manual e artesanal. Infelizmente, noto que é uma profissão que não irá se renovar com a chegada das novas gerações e da tecnologia”, reflete Daio. O seleiro é registrado como artesão do estado, guardando sua carteirinha de registro com muito orgulho.

Por algum tempo, Daio teve sua selaria localizada no centro de Vacaria. Porém, com o passar dos anos, não foi mais necessário pagar aluguel para seu negócio. Agora seu espaço de trabalho é a própria casa. “Montei uma sala rústica e campeira para receber meus clientes. Não coloquei placa na frente da casa, pois tenho praticamente a mesma freguesia há muitos anos e recebo outros clientes por indicação”, explica.

Vacaria é um local privilegiado para a selaria, devido aos desfiles do mês de setembro e o Rodeio Internacional, no qual Daio prefere não expor seus produtos, já que a concorrência é grande com o pessoal que vem de fora do estado e que acabou invadindo o mercado do Rio Grande do Sul. Pela escassez de profissionais no setor, o artesão encontra dificuldades em relação à demanda de trabalho nos meses de maior procura por artigos campeiros. “Não tenho ajudante e às vezes fico sobrecarregado. Deixo algumas peças prontas para vender, mas a maioria dos produtos é feita por encomenda, além das restaurações. Graças a Deus, trabalho não falta”, agradece.

Daio recebeu um troféu no festival nativista Baqueria de los Piñares, realizado no CTG Rancho da Integração, em reconhecimento aos seus serviços prestados em prol da cultura gaúcha.

 

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