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Talento nato

Ariovaldo Telles desenha, pinta e cria suas obras com uma facilidade e simplicidade admirável

01/11/2017 Artistas Carolina Padilha Alves Bruna Bueno

Viver de arte não é fácil e faz com que muitos artistas reprimam os seus dons naturais, para trabalhar em outra área que apresente melhor retorno financeiro. Esse foi o caso de Ariovaldo Telles, que por muitos anos, encaixou as suas habilidades como desenhista fazendo letreiros, placas, faixas, adesivos e outros produtos para o marketing das empresas. “Hoje em dia é tudo digitalizado e não há mais necessidade de se produzir os letreiros em casa. Por isso, atualmente, desenvolvo apenas os desenhos para as marcas que solicitam” explica, Ariovaldo.

 Durante sua trajetória artística de mais de trinta anos, o nosso artista desenhou com grafite, giz pastel, tinta a óleo e caneta esferográfica, aplicando seus conhecimentos em telas, tecidos, muros, papéis e embelezando a cidade com suas obras  na lateral do prédio da Liga de Combate ao Câncer e nos painéis na fachada da empresa Schio, por exemplo. Para complementar sua técnica, fez alguns cursos no Atelier Livre de Vacaria, como workshops de aquarela, fotografia, intervenção urbana, entre outros.

Ariovaldo já passou por um transplante renal e há vinte anos faz hemodiálise. Na época, para se distrair, começou a fazer desenhos no hospital e os colar  nas paredes do quarto onde estava, trazendo vida e cor aquele ambiente.

“Acabei vendendo quase todos para as enfermeiras, médicos, familiares de pacientes e pessoas que passavam e gostavam do meu trabalho. O quarto estava parecendo um atelier”, relata.

Atualmente, nas sessões de hemodiálise, que faz três vezes por semana, o artista continua utilizando um caderno sem pauta e caneta Bic, para, durante as quatro horas de tratamento, desenhar e trazer cada vez mais a arte para perto de si.

Devido ao movimento repetitivo, o artista sofre com a Síndrome do Túnel do Carpo, a qual define-se por trazer danos musculares às mãos e aos dedos. Por esse motivo passou por uma cirurgia na mão direita, com o objetivo de recuperar os movimentos, que estão voltando gradativamente.

“Há dois anos decidi fazer apenas o que gosto e explorar ainda mais meu lado artístico. Os desenhos são uma verdadeira terapia e pretendo continuar desenvolvendo meus conhecimentos até o fim da vida”, afirma o artista.

 

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