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Só a foto retém o tempo

19 de Agosto é comemorado o Dia Mundial da Fotografia e por isso, apresentamos a trajetória de uma das fotógrafas e empreendedoras mais antigas de nossa cidade e suas contribuições em importantes momentos da cultura gaúcha

01/08/2018 Empreendedorismo Carolina Padilha Alves

Noeli Carbonera era professora de séries iniciais, porém presenciou, ainda criança, a chegada de uma câmera fotográfica comprada por seu avô, em 1956, o qual era um verdadeiro amante da fotografia. O equipamento era pesado, enorme, desconhecido pelas novas gerações e extremamente revolucionário para a época.

 Anos após, casou-se com Natalino Nunes, hoje seu ex-marido, que já era fotógrafo e cinegrafista na TV Caxias. Tendo essas duas influências em sua vida, Noeli começou a se interessar profissionalmente pela fotografia e iniciou um curso no Senac para aprimorar seus conhecimentos. “O primeiro evento de grande porte que participei, usei treze filmes de trinta e seis poses, o que naquele tempo era uma quantidade absurda de fotos. Desse dia em diante, percebi que poderia crescer na área e nunca mais parei de fazer cursos de atualização”, diz a profissional. Dentre esses cursos, estão Iluminação Básica de Retrato, Noivos e Noivas, Pose e Composição, Efeitos Especiais, Maquiagem para Estúdio e Reportagem, Fototela, entre tantos outros.

Em 1979, Noeli e seu ex-marido abrem o Foto Natalino em Vacaria que, anos depois, tornou-se o Retrato Foto e Vídeo, estúdio este que participou de momentos de relevância de nossa cidade e do estado como um todo. Noeli já teve suas fotos estampadas em importantes obras da cultura gaúcha, como cartazes do Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria, revistas do Rotary e Lions, fez a foto para a capa de um dos CDs de Elton Saldanha, participou de exposições no Jockey Clube e em alguns shoppings da capital.

 Pelo fato de Noeli ter passado por muitas fases da fotografia, seu conhecimento no setor aponta algumas dificuldades encontradas atualmente pelos profissionais.

“Hoje a fotografia está muito popularizada. Acredito que daqui uns trinta anos, os nossos netos e bisnetos não vão mais ter fotos físicas para olhar, perdendo a memória dos antepassados. Os jovens guardam as fotos em pen drive, computadores, HDs, coisas que podem estragar ou se perder a qualquer momento, e isso faz com que as lembranças se percam também”, reflete.

Noeli não pretende parar tão cedo, já que se considera uma verdadeira entusiasta desta profissão, capaz de registrar tantos momentos importantes na vida das pessoas. “Nesta minha trajetória, fotografei políticos, autoridades, casamentos, aniversários, formaturas, batizados, teatros, enfim, todos os tipos de situações. Subi em escadas, quase fui atropelada por cavalos nos desfiles, tive muito desgaste físico, porém, nada se torna difícil para conseguir uma boa foto”, finaliza a fotógrafa.

 

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