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A Equipe do Barraco

A história do grupo que transforma os carros da coleção de Franco Stédile

28/09/2015 Na Estrada Carol Corso e Matheus Huff Yhuri Ramos

Quem acompanha as edições da C20 Veículos já conhece alguns modelos clássicos da coleção de Franco Stédile. O empresário detém uma frota de automóveis com modelos exclusivos aqui no Brasil. Mas por trás de todos estes carros impecáveis está o trabalho metódico da Restaurações Barraco, que trabalha exclusivamente para restaurar e manter a frota Stédile como nova.

Tudo começou há sete anos, quando Stédile iniciou a coleção de carros antigos. Os veículos, na grande maioria importados, chegavam muitas vezes em situação crítica. Assim, Franco precisava de alguém para reformar e manter as relíquias como zero quilômetro. Foi então que Zé entrou na história. José Luis Nunes, mais conhecido como Zé Cruzeta, já trabalhava para Stédile na manutenção de tratores e em uma chapeação. “Ele já conhecia meu serviço, então veio a proposta”, esclarece o restaurador. Quando começou a trabalhar unicamente com os veículos de Franco, estava sozinho. Era o time de um homem só. Mas logo Igor Dian e Dirceu Oliveira chegaram para dar suporte e formar a Equipe Barraco. Os novos componentes chegaram para ajudar Zé Cruzeta sem nenhuma experiência, mas tinham muito gosto pelo trabalho a ser feito. Marcelo Rodrigues foi o último integrante a entrar no quadro.

COMO TUDO SE TRANSFORMA

Assim que um carro chega ao barracão de restaurações, uma série de estudos sobre o veículo é iniciada. Stédile chega com as primeiras ideias sobre o carro e Zé aproveita para investigar em revistas e na internet os detalhes que não podem faltar para que o resultado fique conforme o desejado. “A função de pesquisar é mais do Franco, mas também buscamos sobre os carros em fotos, sites, programas de TV e revistas. Sempre nos informamos”, esclarece Nunes.

“Já tem trabalho para dez anos esperando. E com esperança de 20”
Zé Cruzeta

Há três tipos de projetos que o grupo desenvolve: os de carros com restauração seguindo o modelo original, os de estilo Hot Rods, em que partes do design são reinventadas e os Rat Rods, produzidos a partir de peças restantes de outros carros, geralmente apresentando uma aparência inacabada e lataria enferrujada, mas com mecânica potente. A maioria dos projetos é voltada para recompor os automóveis de acordo com o padrão original do veículo, preocupando-se em seguir todos os detalhes característicos.

Muitos falam que a equipe trabalha no paraíso em meio a tantos modelos exclusivos. No entanto, até cada projeto alcançar o resultado final, há muito o que fazer. De acordo com Zé, a restauração destes veículos exige um protocolo. Cerca de três mil fotografias são feitas de cada carro durante o procedimento. “Tiramos fotos antes de desmontar e em seguida de cada parte do carro com seus parafusos. Esta sequência de fotos é importante porque após o desmanche, os parafusos e peças são enviados para o jateamento e retornam misturadas”, explica. Desta forma, a fase da montagem torna-se um “quebra cabeças, já que é preciso observar as fotos e conferir os tamanhos de cada parte para não usar peças e parafusos errados”, conta Igor.

Para que este clássico inglês chegasse a Vacaria, muitos fatos curiosos aconteceram. Contamos a história deste Armstrong Siddeley na edição de março de 2015.

Camaro Z/28 1973, um dos maiores clássicos esportivos do mundo, é o projeto preferido do Zé.

Veículo militar, deste modelo e ano, só existem 5 no mundo. Um deles está em Vacaria e foi restaurado pela Barraco. Foi destaque da edição de março de 2014 da Revista C20.

Esta é uma International L120, sonho de consumo dos fazendeiros do anos 50.

Este Lincoln Continental 1966 pertenceu a família Kennedy, foi restaurado pela Equipe Barraco e estampou a capa da Revista C20 em abril de 2013.

Internacional Six Speed 1927, nosso primeiro Inegociável da coleção de Francos Stedile.

OS MAIORES DESAFIOS

Nestes sete anos já passaram muitos carros pelos galpões da Restaurações Barraco. Mesmo assim, fica difícil escolher o favorito da turma. “Pelo processo que a gente passa, acabamos gostando de todos, mas o meu predileto mesmo foi o Camaro Z/28 1973”, seleciona Zé. Já Igor e Dirceu não titubeiam em indicar o Cadillac Deville 1960 como o mais querido.

Mas quando se trata de eleger o automóvel mais desafiador, a resposta é unânime: O Buick Century 1955, importado dos Estados Unidos. “No momento em que começamos a desmontá-lo, ele simplesmente desmanchou. Sobrou muito pouco. Ai foi grande a pesquisa e a incerteza sobre o carro, não sabíamos o que iria acontecer depois”, recorda Nunes. Quando as peças foram para o jateamento, pouca coisa voltou para ser aproveitada. “Ai não tem um Buick aqui em Vacaria que se possa verificar como é feito. Não é um carro comum. Foi então que a investigação entrou, tivemos que estudar o modelo e montá-lo de novo”, lembra.

O tempo necessário para deixar um carro pronto varia conforme o estado em que ele esta. Apenas quatro meses foram necessários para reformar o Camaro Z/28 1973, por exemplo. Já o Cadillac Deville demorou mais de um ano para ficar pronto. Por mais que o Buick tenha sido o maior desafio até agora, o grupo conseguiu terminá-lo em nove meses.

Parar o trabalho é algo inconcebível. Sempre há carros na fila de espera para serem remodelados e voltarem às ruas. Tudo o que for preciso fazer em um veículo é feito, mas também se tenta adequar os custos. Segundo as estimativas do grupo, os valores só em restauração podem chegar a 70 mil reais.

TRABALHO RECONHECIDO

Todo o ano a Restaurações Barraco marca presença em feiras e encontros de carros antigos pelo país. Nunca voltaram para Vacaria sem premiações, que são expostas orgulhosamente no salão de festas do galpão de reformas. A equipe participa de cinco a seis encontros por ano. Convites para outros eventos sempre surgem, mas segundo Zé Cruzeta, “não dá para ir a todos porque deste jeito não tem tempo para trabalhar”.

O espírito deste pequeno time de restauradores é guiado pela união do grupo até o fim de um projeto. “Tudo é feito em conjunto. Não tem esta de dizer, 'ah, fui eu que fiz'. Trabalhamos para um resultado só, que é este que vocês veem aí”, orgulha-se Zé.

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