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A mãe que espera por dias melhores

Essa é a história de uma mãe que trava uma luta diária contra o preconceito e pensamentos,
muitas vezes, equivocados da sociedade

09/05/2017 Especiais Carol Padilha e Matheus Huff Bruna Bueno

Essa é a história de uma mãe que trava uma luta diária contra o preconceito e pensamentos, muitas vezes, equivocados da sociedade. Seu filho foi preso por tráfico de drogas, pegando uma sentença de oito anos de reclusão.

No dia da prisão, o telefone tocou. Era seu ex-marido chamando-a para comparecer na delegacia. Após esse telefonema, a vida da família virou de cabeça para baixo. Um novo cenário se criava e para isso, calma e cabeça fria eram necessárias para lidar com o furacão de informações.

Os sentimentos de angústia, vergonha, desespero e arrependimento surgiram todos juntos para essa mãe: “após ter alguns problemas de saúde, ser internada no hospital com fraqueza e ser diagnosticada com depressão, procurei a ajuda de uma psicóloga que me ajudou a organizar esses pensamentos e emoções que estavam me matando”, relata.

Com o comportamento recolhido, tentando passar despercebida aos olhos dos outros, a mãe sentiu que estava de “castigo” juntamente com o filho. A vontade de sair de casa, conversar com as pessoas e passear ficaram cada vez menores, prejudicando, até mesmo, a sua vida profissional. “Sou professora e passei por uma crise existencial. Comecei a pensar que eu não podia educar os filhos dos outros, sendo que o meu teve uma atitude tão errada na vida. Seria como falar, mas sem ter moral alguma”, desabafa.

Acredito na ressocialização do indivíduo que ainda quer crescer na vida após ter sido preso”

Apesar de todo sofrimento vivido aqui no lado de fora, a mãe jamais deixou que seu filho percebesse seu estado emocional nas visitas semanais que fazia. Ao chegar ao presídio, usava da pouca força que ainda restava para passar tranquilidade, afeto e esperança a ele. Sua maior preocupação era a humilhação e os abusos verbais e físicos que o jovem poderia sofrer dentro da penitenciária.

Quase três anos do ocorrido já passaram. Entre esse período, o filho ficou alguns meses no regime semiaberto, usando uma tornozeleira eletrônica 24 horas por dia. Entretanto, teve que retornar à prisão. As visitas continuam frequentes. Mais do que nunca, mãe e filho estão unidos e com a certeza de que após o erro, as consequências vêm. “Toda vez que o vejo, ele me pede que eu continue forte, pois está fazendo a parte dele lá dentro e eu preciso continuar vivendo a minha vida normalmente”, declara a mãe.

Ao mesmo tempo em que existem pessoas para “apontar o dedo”, há aquelas que estão no mundo para ajudar: amigos, familiares, empresários que oportunizaram emprego, aqueles que auxiliaram com palavras e atitudes e, principalmente, uma mãe que está ao lado do filho para buscar a reparação dos erros. “Acredito na ressocialização do indivíduo que ainda quer crescer na vida após ter sido preso. O meu filho, ao sair da cadeia, quer voltar a fazer faculdade e a trabalhar”, revela.

Para os que perguntam: “e aí fulana, como vai seu filho?”, esperando ouvir uma resposta triste ou desacreditada, acabam escutando exatamente o contrário: “ele vai firme, forte e valente”.

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