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Ford Coupé Esculpido no Martelinho

De um monte de ferro velho a um possante clássico.
Marcos Ribeiro soube esculpir com precisão seu Ford Coupé 1942
em apenas cinco meses

24/08/2015 Especiais Carol Corso e Matheus Huff Bruna Bueno

Marcos Ribeiro é bastante conhecido em Vacaria pelos caminhoneiros e pelos apaixonados por automóveis. Além do trabalho regular em sua chapeação com cabines de caminhões, Ribeiro também transforma modelos antigos de automotores em verdadeiras obras de arte, esculpidas com requinte, perfeccionismo e dedicação. Para o chapeador, todo o trabalho deve seguir um protocolo para que o resultado atinja o desejado: “há todo um processo até chegar ao carro pronto. Se quiser fazer algo bem feito, este é o caminho”, recomenda.

Marcos trabalhava na reforma de carros antigos apenas para clientes. Mas em 2013 decidiu que iria fazer seu primeiro carro Hot Rod. A vontade surgiu para homenagear seu filho, que antes de falecer, também desejava que a família tivesse um clássico reformulado na garagem de casa. Assim, Ribeiro encontrou em Farroupilha um exemplar à venda de um Ford Coupé ano 1942 sem mecânica, simplesmente “um monte de ferro velho usado”. Ribeiro sempre gostou do modelo, conhecido como “Barata” e não titubeou em adquiri-lo mesmo por 12.500 reais.

Toda a reforma do veículo já estava planejada na cabeça de Marcos e assim que sua compra chegou a oficina, a remodelação começou. Com anos de experiência e paixão pelos clássicos, transformar o projeto idealizado em realidade foi algo fácil para o chapeador.

Da lata velha a um
clássico reformado:

As peças deste exemplar dos anos 1940 são bastante difíceis de encontrar, uma missão quase impossível. Marcos até tentou achar alguma coisa, porém, não conseguiu. Por isto, decidiu produzi-las, mas não copiando a partir do molde tradicional. A grande maioria de dos elementos foi formulada pela criatividade e alma de artesão do chapeador, especialmente no acabamento. A grade do veículo, por exemplo, foi criada sem a preocupação em manter o design original. Os frisos laterais, desenho do forro da porta também foram detalhes inventados por Ribeiro, que confiou em sua astúcia artística.

Precisaram ser refeitas desde calço de motor a suspensão: “até o tanque e o radiador eu fabriquei. Depois de pronto o chassi foi desmontado e todo substituído por peças novas, como pivô, rolamento e bucha de balança. A parte da lataria, como o capô, foi produzida por inteiro, mas de acordo com o modelo antigo”, detalha. O motor escolhido para a Barata foi um V8 292, retirado de um caminhão Ford. “Este motor eu comprei de um cara que arrematava caminhões do exército. Ele é bem potente, forte e bebe muita gasolina também”, explica.

“Estas peças não se encontram mais. Por isso eu digo que ele é um “hot”, original por fora, mas reinventado. Eu adaptei algumas partes da sinaleira traseira e a parte mecânica ficou mais moderna. Todas as peças que tem na lataria do auto fui eu que fabriquei. Peguei uma por uma e fiz. Desde os frisos ao volante e composição de madeira do painel interior. Bem artesanal.”
Marcos Ribeiro

Os estilos“Hot Rods” que Marcos citou são carros geralmente das décadas de 1920 até a década de 1940 personalizados usualmente com motores potentes como o V8 e rodas largas.

Ribeiro fotografou o passo a passo da transformação do automóvel. A diferença entre o antes e o depois é contrastante. O que impressionou também foi a agilidade com que a Barata ficou pronta. Em apenas cinco meses O Ford Coupé passou de uma lata velha a um possante clássico. Marcos, seu filho Elias e mais um assistente alcançaram esta proeza em pouquíssimo tempo trabalhando simultaneamente com a reforma de oito caminhões. Cada detalhe ou etapa do processo levava de três a quatro horas para ficar pronta, até mesmo nos frisos. Marcos teve talento em combinar cada elemento usado no automóvel: “sempre digo que uma peça precisa combinar com a outra para ter harmonia e ficar bonito no final”. Também foram adaptados no carro o ar condicionado, direção e embreagem hidráulicas, vidros elétricos e câmera de ré.

O chapeador lembra a sensação extraordinária de dirigir sua obra de arte pela primeira vez: “é diferente de conduzir qualquer outro carro. Mas na questão de conforto, não há diferença entre andar neste automóvel ou num novo. Tu não sente buraco, ele freia bem, não é uma 'carrocinha' como os de antigamente”. De fato, foi um veículo recriado para desfrutar e não deixar apenas na garagem. Marcos coloca sua Barata na estrada e não poupa na quilometragem. “Eu tenho um Pálio 2013. Ele está agora dentro da oficina, porque o Coupé ocupa o lugar na garagem de casa. Se eu disser que rodei 50 km este mês com o Pálio, vai ser até muito. Já com a Barata, creio que fiz uns 600 km. Ele não foi feito pra ficar parado”, orgulha-se.

ALGUMAS HISTÓRIAS DA BARATA

- Agora este carro fica para a família?
- Olha, se os herdeiros não colocarem fora, diverte-se.

A ideia é de ficar com o veículo. Com toda a mão de obra, compra de materiais e documentação, o custo do Coupé resultou em 130 mil reais. Com o tempo, Foram surgindo propostas para a compra da Barata, negociantes dispostos a investir até 180 mil reais. Mesmo assim, Ribeiro recusou. Em março deste ano o possante ganhou o prêmio na categoria de Melhor Hot do Encontro de veículos antigos em Nova Petrópolis.

Comentários sobre o clássico sempre surgem. No começo eram mais frequentes, mas segundo Ribeiro “o pessoal está mais acostumado agora”. Por outro lado, fotografias nunca param. O chapeador conta que é difícil não fazerem umas 50 retratos enquanto está com sua Barata azul. “Até aconteceu um episodio comigo em que um cara vinha pela BR e eu estava parado para cruzar. Ele segurou o trânsito e freou na rodovia só para eu passar na frente dele e ele tirar uma foto”, descreve.

O Coupé ainda realizou um papel importante em casamentos, levando noivas até a igreja. “Elas viram o carro na rua e acharam bonito. Acabaram me pedindo se eu as levava na igreja. Eu disse que sim, só pedia umas fotografias em troca”,recorda.

PRESENTE E FUTURO

-Tem ideia de quantos carros antigos já reformou?
-Deus do céu, se eu tivesse guardado um real por cada um deles, hoje eu estaria rico.
-Mas carros clássicos o senhor vai fazer mais ainda, né?
-Vou fazer sim. Tô com um projeto de um Ford e já tenho a mecânica pronta. Vai ser um modelo Austin, hot, com o motor aparecendo e só a grade na frente.

Agora Marcos prepara uma Chevrolet Brasil ano 1961 para o filho Elias: “eu botei um para-brisa nela, fiz uma grade no estilo do Ford, mas bem mais antigo. Não vai ter nenhuma Brasil aqui e no mundo igual, foi criado pra ela e vai assentar 100%”, promete.

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