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Um Comodoro Como Novo

A história do Opala Comodoro de Nelson Roveda revela
seu zelo em conservar um clássico dos anos 90

22/06/2015 Especiais Carol Corso e Matheus Huff Bárbara Dutra

“Um dia a ‘patroa’ me pediu para levar a empregada de volta a sua casa com o Opala. Disse que não tinha problema. Então fomos todos juntos. De repente, no meio do caminho, apareceu uma rua sem calçamento. Então, subitamente, o carro parou e avisei que tínhamos ficado sem combustível. A funcionária ficou um pouco braba, reclamou ‘como fui deixar faltar gasolina’ e disse que a partir dali, iria caminhando. Esperei um pouco e depois liguei o carro novamente. Então ele começa a andar. Nisso minha esposa, surpresa, pergunta:

-Ué, como o carro está andando de novo? Não estava sem gasolina?
-Não, a verdade é que o asfalto acabou e eu não quis deixar o Opala pegar pó.”

O episódio descrito acima é só mais um entre outros na vida de Nelson Barato Roveda, ex- vereador de Vacaria por cinco mandatos e cidadão emérito da cidade. Nelson tem uma paixão antiga por carros e grandes motores, resultando em muitas histórias para contar.

Com 27 anos Roveda adquiriu seu primeiro carro, um Renault. Desde então, passou a ter diversos automóveis, um atrás do outro. Revendia e já comprava um novo. Tanto que perde a conta na hora de mensurar a quantia: “quantos carros já tive na minha vida? Barbaridade! Renault, Citroen, Volkswagen, Austin, Ford Galaxy, Alfa Romeo, Maverick”.

No entanto, para finalizar esta lista de clássicos, acabou surgindo um Opala inegociável na garagem de Nelson.

A HISTÓRIA DA COMPRA

O Opala Comodoro ano 1990 foi comprado há mais ou menos 12 anos em São José do Ouro. O primeiro dono só o dirigia para ir à missa. Roveda soube da oportunidade de negócio através de uma revenda em Vacaria. Deste modo, colocou uma Caravan no negócio e pagou mais quatro mil reais para adquirir o modelo.

“Comprei porque o carro era inteiro e bom. Todo mundo achava-o bonito e muito bem conservado, tanto que tive inúmeras ofertas de compra,” lembra Roveda, que só depois da aquisição, realmente se apegou ao Opala. De tal modo, passou a preservá-lo ainda mais.

“O carro depois que pega pó nunca mais fica igual”

O Opala é praticamente original. Até o cano de escapamento é autêntico. A versão tem motor 2.5 e apenas 42 mil quilômetros rodados. Além disto, não conhece estrada de chão. Sempre andou no asfalto e evitou lugares que pudesse se sujar. “O carro depois que pega pó nunca mais fica igual,” sentencia Nelson, que foi o segundo dono do Comodoro. Hoje a herança de família está no nome de seu neto, Renato Roveda que também traz o mesmo apreço pelo veículo.

“Muitos se interessam em comprar o Opala. Mas o valor sentimental por ele fica incluso,” conta Renato.

“Vai ser uma propriedade que vai passar para as próximas gerações. Hoje é fácil comprar qualquer carro novo, mas encontrar um no estado de conservação e original como o Opala é difícil,” conclui Nelson.

OFERTAS EM QUALQUER LUGAR

Roveda sempre dava “umas enganadas” em quem insistia em angariar o Opala, pois era a melhor solução para se desvencilhar da freguesia mais teimosa. “Um dia quiseram comprá-lo. Respondi que venderia por uns sete mil reais. Mas antes menti que a lataria estava toda enferrujada e só havia passado uma massa nela e pintado. Assim logo eles desistiam,” diverte-se.

Outro artifício usado era contar que o carro estava comercializado: “quando eu chegava aos postos de gasolina, sempre havia alguém pedindo para negociar o Opala. Mas naquelas ocasiões ele sempre já estava vendido,” recorda.

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