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Expedição: Rússia

Tiaraju Orsi é mais um vacariano morando fora do país em busca de conhecimento e aperfeiçoamento para sua profissão

01/02/2018 Expedição Carolina Padilha Alves Tiaraju Orsi

Tiaraju é formado em Educação Física e em 2014, aos vinte e sete anos, decidiu se mudar para um destino incomum entre os brasileiros: Moscou, a capital da  Rússia.  O vacariano colocou o pé na estrada com o intuito de fazer mestrado em esportes de alto rendimento e sistema de preparação de atletas, os quais hoje já concluiu e está cursando doutorado na mesma área.

“Saí do Brasil com todas as coisas organizadas, aceito na universidade e com visto de estudante. Brasileiros podem entrar na Rússia sem visto e permanecerem como turistas por três meses, mas no meu caso de estudante, o visto é necessário”, explica Tiaraju.

Os estudos na Rússia só podem ser realizados em russo, por esse motivo seu primeiro ano lá foi somente para o curso preparatório da língua. Após ficar fluente, Tiaraju teve a oportunidade de trabalhar durante vinte dias como tradutor na final da Copa das Confederações de 2017, com a equipe de transmissão da SporTV, formada por Gustavo Villela, Luiz Carlos Junior, Muricy Ramalho e Maurício Noriega.

A Rússia é o país que possui a mais tradicional e consistente formação acadêmica na área esportiva no mundo. Grande parte da ciência do esporte que os demais países conhecem nos dias de hoje, foi desenvolvida pela antiga União Soviética, que tinha como principal país a Rússia.

“A única maneira de adquirir este conhecimento é morando aqui, falando russo, estudando em russo, vivendo o país e sua cultura profundamente”, declara.

Segundo Tiaraju, a culinária russa de forma geral é muito mais restrita que a brasileira. No supermercado encontra-se quase tudo que se come no Brasil, porém devido a importação, as comidas se tornam caras. A população se alimenta basicamente de batata, arroz, aveia, frango, peixes, ovos e sopas.

“A coisa mais impressionante para mim na culinária russa, é uma sopa tradicional de beterraba, que é muito saborosa, mas curiosamente, não tem gosto de beterraba. Demorei a acreditar que aquilo era realmente feito com o legume”, diz o preparador físico.

Como todos sabem, o clima da Rússia é caracterizado pelo frio extremo e a neve recorrente. Por isso, existe um sistema de aquecimento central, que através de tubulações distribui o calor por todos os cantos da cidade, desde casas e estabelecimentos comerciais, por menores que sejam, e para os metrôs. “ Um ponto importante de ser lembrado é que, independente da condição financeira, toda a população tem acesso ao sistema de aquecimento. Assim, vacarianos interessados em conhecer a Rússia no inverno, fiquem tranquilos, apesar das temperaturas muito inferiores as nossas, passa-se menos frio na Rússia do que em Vacaria”, comenta.

Ainda sobre a organização do país em relação aos fatores climáticos, Tiaraju acredita que a estrutura deles para os moradores locais e para os visitantes, ajuda muito na qualidade de vida do povo.

“Quando falo para os russos que sou natural de uma cidade no Brasil, que tem inverno com temperaturas, muitas vezes, abaixo de zero, mas que ao mesmo tempo as casas não possuem aquecimento, eles ficam assustados e querem saber como se vive no inverno sem esse facilitador. Vacaria poderia aumentar muito sua arrecadação por intermédio do turismo, mas para isso precisaria acontecer uma melhor estruturação em diversos aspectos, e um deles é o aquecimento das casas e restaurantes”, completa.

Os pontos turísticos imperdíveis em Moscou são a Praça Vermelha, onde se encontra o Kremlin, a catedral de São Basílio e o museu histórico. Próximo dela também está o belíssimo teatro Bolshoi, o qual possui uma sede no Brasil e conta com os melhores bailarinos do mundo. A cidade de São Petersburgo é também interessante, belíssima e com um contexto histórico incrível.

A experiência de morar fora, principalmente em locais com uma cultura bem avessa à nossa, oferece a possibilidade de enxergar o mundo com outros olhos e abre a mente para novos questionamentos.

“Moro em uma casa de estudante em que se reúnem mais de trinta nacionalidades. Viver em meio a tantas culturas é um desafio e um grande aprendizado, e isso nos ajuda a dar menos valor às coisas e muito mais as pessoas”, diz.

Sem data para retorno, Tiaraju pretende absorver o máximo do conhecimento que foi em busca e, quem sabe um dia voltar, sentindo-se preparado profissionalmente para seguir em busca de novas experiências tão enriquecedoras quanto esta.

 


 

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