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Expedição: Hungria

Idioma, hábitos alimentares, paisagens. Tudo muito diferente do país de origem de Cintia Duarte, essa arquiteta conterrânea que morou lá durante um ano

01/11/2017 Expedição Carolina Padilha Alves Caroline Corso

Foi por meio do programa Ciências sem Fronteiras que Cintia, em Janeiro de 2014, foi fazer dois semestres de sua faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, em Budapeste, capital da Hungria. Apesar de poder escolher entre vários outros lugares do mundo, a vacariana optou pelo país por dois motivos: o curso tinha o foco que ela desejava, em Arquitetura e Artes, e o destino era incomum.

 O primeiro choque cultural de Cintia foi a língua.

“O húngaro não é dos idiomas mais fáceis de aprender. Como as aulas na universidade eram em inglês, não tive tanta dificuldade, mas quis aprender pelo menos o básico para conseguir ir no mercado, na farmácia, atividades comuns… e também para entender mais o país”, declara.

Segundo Cintia, na Hungria as estações são bem definidas, fazendo muito calor no verão e o inverno com nevascas e temperaturas chegando a 15 graus negativos. O humor do povo húngaro é quase que definido pelo clima. No inverno, com o dia cinzento e escurecendo as 16h, as pessoas costumam ser mais reservadas, não apresentando muitos sorrisos.

“A primeira impressão não foi muito boa. Lembro que quando cheguei no prédio em que ia ficar por uns dias, fui acender a luz e acabei tocando na campainha da vizinha, saiu então uma senhora, falando muitas coisas para mim em húngaro. Sorte que não entendia”, relembra Cintia.

Porém, na primavera e verão, tudo muda. Vários lugares abrem, teatros ao ar livre, feiras, exposições. As pessoas ficam mais sorridentes e saem para as ruas. “Os colegas e professores sempre foram muito gentis e estavam felizes em receber estrangeiros lá. Até a vizinha começou a me dar bom dia”, diz a arquiteta.

Quanto aos alimentos, é de lá que vem a páprica, usada em várias receitas aqui no Brasil. Dentre as comidas típicas está a Goulash, uma sopa de carne com batatas, e o Kurtos, pão doce com canela assado na brasa, no tradicional estilo de comida de rua. Já entre as comidas exóticas estão a linguiça de carne de cavalo e o feijão, que é feito como um molho adocicado com tomate.

Budapeste é dividida pelo Rio Danúbio em duas partes:  Buda e Peste. Buda é a parte montanhosa, mais antiga, com muitas casas. É onde fica o Castelo, a Citadella (resquício da invasão romana), e o Bastião dos Pescadores. Peste é a parte plana, movimentada, cheia de bares, museus e onde fica o famoso Parlamento, a Ópera e a Praça dos Heróis. Segundo Cintia, “das pontes tem-se uma das vistas mais significativas da cidade, onde se pode ver um pouquinho de tudo, além de Buda e Peste, a Margit Sziget, uma ilha em meio ao Danúbio. A cidade sofreu invasões turcas e romanas, domínios soviético e alemão, e é por isso que carrega muita história para se ver”.

Como arquiteta e urbanista, a viajante teve um olhar criterioso sobre a organização das cidades. A preocupação com espaços públicos, praças, ambientes de confraternização, a vida na rua, o fácil deslocamento, seja por linhas de ônibus ou de trem, são pontos importantes que ela gostaria de ver mudando, não só em sua cidade natal, mas em seu país como um todo.

E como bagagem, Cintia traz uma nova visão de mundo e existência:

“Viajar é sempre uma experiência transformadora. Te faz ver o quanto o mundo é grande e quantas possibilidades existem, seja em estudo e trabalho, seja nos relacionamentos e formas de viver. Te faz entender que o ser humano é adaptável, por mais diferente ou difícil que seja a situação.”

 

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