Espaços públicos compartilhados

O capitalismo global deixa como herança padrões de dominação, exploração e negligência no relacionamento entre homem-natureza, correspondem a padrões de comportamento que têm como conseqüência problemas sociais e ambientais

01/01/2018 Artigos Franciele Cataneo

Direcionando a análise ao contexto urbano, percebemos uma paisagem modelada por uma demanda populacional crescente, e por problemas públicos como inundações e desmoronamentos. Este cenário de desafios ambientais compromete a manutenção dos ecossistemas locais, tornando-os vulneráveis à ação antrópica.

As cidades se transformam ordenadas por políticas de organização do espaço, muitas vezes insuficientes para controlar as ocupações que avançam até mesmo sob áreas protegidas por lei. A exemplo, destaca-se o Plano Diretor, que corresponde ao instrumento de gestão ambiental municipal e dispõe sobre as condições de uso e ocupação do solo.

Dentre os direitos assegurados por essa política, está a delimitação do território em Áreas Verdes. Estes espaços de domínio público representam uma oportunidade de reparos aos danos ambientais, além de agregarem o valor de estímulo a momentos comunitários. Em um campo ideal, de desejo coletivo por manter e preservar o meio ambiente do entorno, núcleos autônomos de vizinhanças ou associações de bairro fazem emergir um papel político influente sobre as culturas de conservação dos ecossistemas e paisagens.

O valor social da preservação ambiental requer que o ato de preservar seja uma conduta cultural do grupo social que pratica o ato. Para tal, iniciativas de criação ou manutenção de Áreas Verdes abandonadas ou inutilizadas, presume a interação comunitária por finalidade socioecológica. Encontra-se aqui, potencial oportunidade de autonomia, poder local em práticas de ecocidadania.

As ações de nível local costumam transitar entre criação de espaços de lazer, como instalação de brinquedos, academia ao ar livre; criação de horta e composteira comunitária para gestão de resíduos orgânicos; bem como mutirões para plantio de árvores frutíferas e nativas.

Exemplos de práticas coletivas urbanas:

- Revolução dos Baldinhos/Florianópolis; PACUCA (Parque Cultural do Campeche/Florianópolis).

Texto por: Franciele Boeira Cataneo

Administradora Pública. Enquanto servidora da Prefeitura Municipal de Florianópolis, integrou a Rede Vida no Trabalho como representante do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador. Atualmente, realiza pesquisa de mestrado no Programa de Sociologia Política da UFSC, com ênfase na temática ecologia política e gestão do espaço urbano. É integrante do Núcleo Transdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento/NMD-UFSC.

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