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Casa cheia de vida

Uma casa que, por vezes, parece uma pousada rústica de Gramado. Esse é o lar que o Casa20 visita nesse mês e mostra com detalhes as transformações que foram feitas de forma permanente para a conservação da moradia

01/01/2018 Casa20 Carolina Padilha Alves Tiago Sutil

Em Maio de 1963, Maria Teodora Silveira Pires e Inácio Souza Pires se mudavam com seus nove filhos para uma casa que mais parecia uma pequena chácara, já que lá criavam, galinhas, vacas, coelhos e cachorros.

Para suportar tudo isso, Inácio construiu uma estrutura que comportava cômodos para todos os filhos e, na época, ainda não existia rede elétrica nas residências, além da água vir diretamente de um poço no meio das rochas.

O tempo passou, o proprietário faleceu e hoje em dia quem mora na casa é sua esposa Maria Teodora, acompanhada de um de seus filhos, Clodoveu Pires.

“Decidi vir morar com a minha mãe, pois ela já está com noventa e seis anos e precisa de cuidados diários. Sabemos que é importante para os idosos estarem em um lugar que eles se reconheçam e que faça ter lembranças boas, em convívio com seus familiares, principalmente os mais próximos”, comenta o filho.

Desde que voltou a morar na casa em que passou sua infância, Clodoveu, que fez curso de Decoração de Interiores, mas que tem um bom gosto nato, aplicou mudanças no espaço e adaptou os ambientes para acomodar uma pessoa idosa.

A casa, que antigamente tinha cinco quartos, hoje tem apenas dois. Em um deles, Clodoveu adaptou um oratório, pois sua família é muito religiosa e seu pai era devoto de Santo Antônio. “Fiz o oratório como uma homenagem, já que a família inteira rezava o terço todas as noites de joelhos”, relembra.

A garagem foi transformada em uma área de convivência, conjugada com a cozinha, e os fundos, onde ficavam os animais, agora é uma linda área externa, com parreiras, redes, mesas e cadeiras, perfeito para cevar um mate ou tomar uma cerveja com os amigos. As árvores frutíferas que estão ali desde a chegada da família, ainda ficam carregadas de frutos  e flores em determinadas épocas do ano.

Os detalhes e enfeites, ficam por conta das peças de longa data da família. A cortina do lavabo existe desde o casamento de Maria Teodora e Inácio, assim como estão expostos tarros de leite, ferramentas para a carneação de vacas, máquinas de costura antigas, castiçais, telefones de mesa, lampiões, entre tantos outros artigos raros.

O banheiro recebeu uma porta de dobradiça dupla, barra de apoio de alumínio no box, iluminação diferenciada, tudo para trazer mais conforto e acessibilidade à matriarca.

As cores da residência sempre foram verde e branco, e então Clodoveu prima por não mexer nisso, explicando que as mudanças caracterizam apenas uma releitura do espaço para os dias e necessidades atuais.

O trânsito da casa continua agitado. Hoje passam por lá seguidamente os demais filhos, netos, bisnetos e a cuidadora de Maria Teodora, que ajuda Clodoveu nas tarefas diárias com sua mãe.

“Minha mãe aguarda ansiosamente a chegada de um tataraneto para completar a quinta geração dos Silveira Pires”, diz Clodoveu.

O ar retrô conserva os momentos bons passados ali, assim como oferece a todos um cantinho aconchegante e bonito para recordar a infância e desfrutar com a família e os amigos.

 

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