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Arte na pele

A tatuagem é um assunto que divide opiniões. Amada por muitos, odiada por outros, a verdade é que essa prática está ganhando cada vez mais espaço

01/09/2017 Especiais Carolina Padilha Alves Bruna Bueno

É dito que a primeira tatuagem foi feita há mais de 3.500 anos antes de Cristo, no Egito. Para nós, brasileiros, ela apareceu na década de 60 e se disseminou rapidamente por todos os estados do país, já que é uma arte que atinge todas as camadas sociais, sem distinção. A técnica consiste em, com uma agulha, colocar pigmentos coloridos insolúveis e permanentes na camada subcutânea da pele.

As finalidades das tatuagens já foram diversas, como a marcação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial e desenhos específicos para cada tribo ou clã, separando assim um grupo do outro, por exemplo. Na Idade Média, a igreja católica considerou a tatuagem como um ato de vandalismo ao próprio corpo, tornando-se comum apenas entre marinheiros e presidiários, criando-se aí a ideia de marginalidade em torno da prática.

Com a evolução social, as tattoos passaram a ser enxergadas de outra maneira nos últimos anos. Hoje, principalmente entre os jovens, é difícil encontrar uma pessoa que não tenha ao menos um desenho permanente, sendo caracterizada como forma de expressão de pensamentos, ideais ou, simplesmente, possuir a finalidade de embelezar o corpo.

O que muitos não sabem é que os tatuadores são verdadeiros artistas, pois é preciso ter noção de desenho e pintura para desenvolver um bom trabalho na pele de seus clientes. A maioria deles pintam quadros, desenvolvem desenhos exclusivos e fazem cursos de aperfeiçoamento de técnicas. Em Vacaria temos muitos tatuadores antigos no ramo, assim como o pessoal que está recém começando. Vamos conhecer alguns deles?

20 anos de experiência

Edson Telles, mais conhecido como Chumbo, começou gravando desenhos permanentes em seu próprio corpo e depois passou a treinar em alguns amigos. Quando se sentiu capacitado e seguro, abriu o Chumbo Tattoo Studio, o qual mudou de endereço ao longo dos anos e hoje comporta mais oito tatuadores que trabalham no local. “Aqui no estúdio, cada tatuador é especialista e responsável por um estilo, como o tribal maori, o pontilhismo, caligrafia, geométricos, oriental, realismo preto e sombra. Uns com mais anos de estrada, outros com menos, mas todos sempre dando o melhor de si em cada sessão”, relata Chumbo.

Esse grupo também possui um trailer, no qual viajam para outras cidades e tatuam pessoas com horários marcados anteriormente, além de participarem de cursos e encontros de tatuadores do Brasil inteiro. Apesar do preconceito ainda existir com aqueles que possuem muitas tatuagens no corpo, principalmente em cidades pequenas, o mercado para esses profissionais não é ruim. “A procura pelos nossos serviços é grande, tanto por quem mora aqui, como o pessoal da região. Porém, noto que o preço das tatuagens acaba assustando. O cliente normalmente não entende que aquele desenho, além de ser para sempre, ainda requer o equipamento, local apropriado e muito estudo para ser executado”, esclarece Chumbo.

Sangue novo

Outro estúdio de tatuagem em Vacaria é o Arte Fina Tatto, composto por três profissionais: Patric Grazziotin (proprietário), sua esposa Thalita Ortiz e o tatuador Carlos Eduardo Barbosa. O espaço foi aberto há menos de um ano e os tatuadores sempre estão a procura de especialização e aprimoramento de seus trabalhos. “Minha paixão pela tatuagem surgiu quando um tatuador desenhou em mim pela primeira vez, há três anos. Daí em diante já comprei o material e comecei a treinar”, relembra Patric.

Por influência de seu marido, Thalita, que já tinha tatuagens no corpo desde os quatorze anos e sempre teve aptidão para o desenho, o acompanhou na nova profissão. “Minha mãe sempre se tatuou e por esse motivo me interessei desde pequena. Hoje minha clientela é praticamente só de mulheres, que se sentem mais à vontade para tatuarem comigo”, explica.

É comum que as pessoas que fazem desenhos definitivos no corpo com pouca idade se arrependam com o passar do tempo. Aquele símbolo ou marca acaba não fazendo mais sentido e os tatuadores são procurados para fazer a cobertura daquele trabalho inicial. “Eu mesma já me arrependi de algumas coisas que desenhei no corpo. Fiz a cobertura delas e recebo muitos clientes com esse mesmo problema. Por isso aconselhamos as pessoas a pensarem bem antes, pois uma tatuagem é pra vida inteira”, pondera Thalita.

Primeiramente, pintor

Com uma história um pouco diferente das demais, Antonio Carlos Farat, o Toninho, é natural de São Paulo e ao fazer um mochilão pela Argentina, passou pelo Rio Grande do Sul e decidiu morar em Vacaria. Residindo aqui há sete anos, o tatuador abriu seu estúdio, o Poser Tatoo. Além disso, o profissional tem como verdadeira paixão a pintura de quadros realistas e aquarelados. “Pinto quadros como forma de estudo. Alguns eu vendo, outros faço por encomenda, mas o principal foco é aprimorar as técnicas de pintura. Demoro meses pra finalizar cada um deles”, explica.

Por influência de seu pai, que era desenhista de uma marca de cigarros, Toninho começou a se interessar pelo mundo do desenho. Ao ganhar o equipamento para tatuar, há quinze anos, começou a treinar em peles artificiais e demorou até tatuar um corpo humano. “Por ter uma boa rede de contatos em São Paulo, costumo viajar bastante para tatuar por lá. Muitas vezes aproveitei para, além de trabalhar, participar de convenções e acompanhar as novidades do mundo da tattoo”, conta Toninho.

É interessante salientar que nem todos os tatuadores são, necessariamente, tatuados. Alguns deles apreciam apenas o ato de desenhar em outras pessoas, telas ou papeis e ver seus desenhos estampados em todos os lugares. O estereótipo físico de um profissional dessa área vem sendo derrubado à medida que a tatuagem aparece como uma simples forma de renda para aqueles que não conseguem sobreviver na vida artística.

Hoje já existe a remoção de tatuagem a laser, realizada em estéticas e alguns estúdios. Porém, o procedimento é composto por várias sessões, dependendo sempre do tamanho do desenho, além de causar dor e incômodo no local da retirada. Normalmente, a pele fica um pouco manchada, correndo o risco de o desenho não ser apagado totalmente.

Depoimentos:

"Adoro tatuagens e faço para expressar meus amores, sentimentos, gostos. Tenho nove no total e todas elas tem um significado muito importante pra mim". Roberta, 27 anos, esteticista.

“Eu acho tatuagem incrível porque ela deixa uma marca no seu corpo, como uma memória física. Sempre que você olhar pra ela vai lembrar do tempo e da época em que a fez”. Edervan, 25 anos, internacionalista.

“Ainda não tenho tatuagem, mas penso em um dia fazer. Acredito que ela representa um grito de liberdade que os jovens, principalmente, querem dizer ao mundo”. Camila, 25 anos, veterinária.

"Na minha época tinha muito preconceito referente à tatuagem. Porém, quando fiz 30 anos resolvi tatuar uma homenagem a minha família e não me arrependo. Depois disso, não parei mais de fazer". Jurema, 50 anos, estudante de enfermagem.

"Penso que na juventude tudo é válido. Porém o tempo passa, as pessoas envelhecem e aquilo pode não combinar mais". Roselene, 50 anos, motorista.

“É preciso ter maturidade pra fazer uma tatuagem. Os pensamentos e certezas mudam muito rápido hoje e por isso um desenho definitivo pode ser um erro que vai ser carregado pro resto da vida”. Rafael, 25 anos, dentista.

 

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