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Ao meu cantar

Eduardo Ferreira tem apenas vinte e três anos, mas desde a infância é envolvido com a cultura gaúcha. Dono de uma voz admirável, interpreta músicas de grandes cantores do nosso estado e retém nas mãos mais de noventa títulos dos rodeios e festivais que participou nesse tempo de estrada

01/09/2018 Artistas Carolina Padilha Alves Tiago Sutil

Eduardo Ferreira entrou para o CTG ainda muito pequeno, para integrar o grupo de dança, apoiado pela família e, principalmente, por seu avô José Luis Antunes Ferreira. Lá, os instrutores e precursores do ensino da cultura gaúcha, Hélio Correia e Aguida Subtil, o instigaram a conhecer o nosso folclore como um todo, abrindo os olhos do aprendiz para o canto. “Pedi uma canção para treinar e depois daquilo nunca mais parei. A música tem uma sabedoria em volta dela que nenhuma outra manifestação cultural apresenta, assim como o CTG é uma verdadeira incubadora, capaz de formar muitos talentos na nossa terra”, diz Eduardo.

No ano de 2003, o intérprete foi embora para Balneário Camboriú, onde teve a oportunidade de estudar canto durante cinco anos com Alberto Sales, maestro da Orquestra Sinfônica de Florianópolis. Ao retornar para Vacaria, retomou suas atividades.

“Noto que hoje em dia as pessoas falam como se integrar um CTG fosse apenas um hobby, mas quem conhece e leva a sério, entende que é um culto em tempo integral à história de nosso estado”, explica.

Em 2011, Eduardo surgia em seu primeiro festival nativista, o Baqueria de Los Piñales. Na ocasião, Thiago Carlotto (instrumentista) e Leandro Godinho (compositor) o convidaram para participar, onde a canção levou o prêmio de música mais popular. “Nesse dia, um dos avaliadores era o Uiliam Michelon, acordeonista renomado em nossa cidade e região. Então, no ano seguinte ele me convidou para cantar a música Canto de Protesto, ao seu lado e de Everton Hoffmann. Ganhamos o primeiro lugar em melhor melodia e letra, melhor intérprete e melhor instrumentista”, relembra.

 O entusiasta da cultura rio-grandense, acredita que a música nativista é um apelo firme de um povo que teve que lutar por muito tempo, a qual passou por uma questão rígida, no que diz respeito a letras e melodias, e é a responsável por reportar a história do Rio Grande do Sul em cada fase. Ainda salienta que a música é uma ferramenta de manutenção da cultura, que mantém vivo o linguajar e que anda por uma rua que só os gaúchos conhecem, por isso se torna tão difícil que outros lugares do país tenham acesso as nossas canções e as compreendam, ainda que cada vez mais a cultura gaúcha seja reconhecida além fronteiras.

“A cultura gaúcha abraçou muitas outras etnias, por isso ela é tão repleta de contribuições. Mesmo que lentamente, podemos ver algumas evoluções nas letras que não falam mais apenas só do campo e não possuem mais cunho machista. A Shana Muller que, com extrema competência, ocupa o lugar de Nico Fagundes, grande folclorista gaúcho, é um exemplo dos passos que estamos dando para novas adequações que são necessárias em qualquer cultura”, completa.

Com o tradicionalismo latente no peito, Eduardo ainda concorre como solista vocal nos festivais ao redor do estado, e destaca o poder da música na vida dos seres humanos. “A música é um reflexo do que tu se dispõe a fazer com ela. Se vem da alma, de uma coisa pura, livre, ela atinge as pessoas de uma maneira muito positiva. Quando é feita apenas comercialmente, tem tempo de validade e não passa sentimento. A música, para mim, é uma manifestação renovadora”, conclui.

 

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